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janeiro 30, 2009

Critica a NLOTH

A revista portuguesa Blitz, esteve presente na ante-estreia do novo album dos U2, e escreveu um vasto artigo de opiniao sobre o album:

«Mais do que uma banda, sabemos que os U2 são uma verdadeira multinacional quando para a primeiríssima escuta do seu novo disco somos conduzidos a uma sala no quartel-general da Universal Espanha, onde mais de 30 jornalistas ibéricos se acotovelam à volta de uma mesa.

Em cima da dita encontram-se petiscos e refrescos, mas é evidente que é No Line On The Horizon , o novíssimo e aguardado álbum dos U2, o prato principal da matiné madrilena.

O 12o disco na carreira dos irlandeses abre com o tema-título: U2 em modo épico, com refrão explosivo salpicado de alguns momentos mais atmosféricos.

Depois de, no mais recente Viva La Vida or Death and All His Friends , os Coldplay terem tentado emular os U2, há neste novo No Line On The Horizon - onde Brian Eno também deixou a sua marca - passagens em que Bono e companhia parecem soar aos Coldplay quando tentam soar aos U2. Uma espécie de pescadinha no rabo da boca, portanto, que não macula a banda que primeiramente patenteou esta ideia de épico com bom coração.

A segunda música, "Magnificent" , é uma balada que deixou boa impressão nos jornalistas presentes. Convidados a deixar os telemóveis numa caixa à entrada da sala, para evitar gravações marotas, os repórteres acompanhavam a audição com as letras das canções à frente. No final, fomos igualmente convidados a devolvê-las à procedência, mas isso não nos impediu de notar a letra emotiva de "Magnificent": " Only love, only love can leave such a mark / I was born to sing for you ", entoa Bono, que ao longo de No Line On The Horizon arrisca frequentes falsetes.

Um dos pontos altos do novo álbum, Magnificent é forte candidata a próximo single e parece recuperar alguma da espiritualidade dos primeiros tempos dos U2, combinada com a vocação que entretanto os quatro de Dublin aperfeiçoaram: a de arrasar estádios.

Nem de propósito, "Moment of Surrender" dá-se a conhecer por via de sintetizadores que lembram órgãos de igreja, cruzados com uma batida electrónica suave que não ameaça a calmaria da canção.

Também na letra "Moment of Surrender" é introspectiva, com menções a Deus, altares e... caixas de multibanco.

"Unknown Caller" dá continuidade à toada calma, com chilreio de passarinhos como introdução e a deixa " sunshine, sunshine " a dar o mote para mais uma canção de letra reflexiva e refrão dinamitado.

Com "I'll Go Crazy If I Don't Go Crazy Tonight" , repetem-se alguns dos pontos fortes deste No Line On The Horizon : os falsetes de Bono, a guitarra - inconfundível, idiossincrática - de The Edge e um refrão com tudo para levar as músicas ao local onde os U2 se habituaram a estar: no topo do mundo.

Primeiro single conhecido, "Get On Your Boots" , com o seu arranque "garageiro", é talvez a canção mais atìpica do disco e mostra um gingar de anca ausente da primeira metade do álbum. O riff mais pesado mantém-se em "Stand Up Comedy" , cuja letra volta a apontar para a espiritualidade: " God is life and love is evolution's very best day ", escutou-se nos escritórios da Universal Madrid.

Chega então a dupla "Fez-Being Born" ; depois de um trecho instrumental com batida electrónica onde, ao longe, se ouve repetida a deixa " let me in the sound " do single "Get On Your Boots", raia uma canção relativamente atmosférica com referências à Baía de Cádiz, ao Oceano Atlântico e ao sol de África, brindada com um refrão menos explícito que as companheiras de disco.

Igualmente pacata mas mais próxima da folk acústica é " White As Snow" , com uma letra melancólica onde Bono canta " If only a heart could be as white as snow ".

Quase a fechar, "Breathe" é uma nova aposta nos riffs mais rijos, à semelhança de "Stand Up" Comedy" ou "Get On Your Boots". Bono, por seu turno, debita aquela que é, possivelmente, a letra mais descritiva do álbum, num curioso estilo menos cantado e mais declamado, quase dylanesco.

No Line On The Horizon despede-se com "Cedars of Lebanon" , música porventura demasiado discreta para fechar o álbum com um ponto de exclamação. " This shitty world sometimes produces a rose " é, igualmente, uma das deixas mais estranhas de No Line On The Horizon .

Entre petardos rock com refrão no sítio, alguns riffs mais pesados e quase psicadélicos (ver Queens of the Stone Age) e canções íntimas, por vezes destituídas do habitual poderio das baladas dos U2, chega No Line On The Horizon ao fim. À saída, as opiniões dividiam-se mas a maioria dos jornalistas mostrava-se entusiasmada com o regresso dos U2 aos discos. Quanto a futuros concertos de promoção a No Line On The Horizon , nada foi, por enquanto, anunciado. »

Publicado por U2Only às janeiro 30, 2009 11:12 AM

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