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março 04, 2007
Fim à vista!?
Os U2 sentem que o caminho trilhado nos últimos anos os conduziu a um beco sem saída e decidiram procurar um novo rumo para a sua carreira. Rick Rubin (ver caixa) foi o produtor escolhido e aguarda que a banda termine o processo de composição para iniciar as gravações. Segundo o guitarrista The Edge, meia dúzia de músicas já estarão prontas. Bono confirmou pelo menos duas. Com título e tudo.
A Mercury Records, nova casa dos U2 depois de 26 anos na Island – ambas subsidiárias do grupo Universal –, já avançou a pretensão de lançar o novo registo ainda este ano, mas a ânsia de estrear os irlandeses no seu catálogo pode esbarrar no perfeccionismo dos músicos. “Não vamos para estúdio até termos as canções prontas”, já avisou Rick Rubin, enquanto Bono sublinha que será preciso esperar até que as músicas se encontrem óptimas para produção.
O vocalista tem sido enigmático nas declarações sobre o disco: talvez o rock tenha que desaparecer; talvez tenha que ganhar mais força. Ainda assim, revelou à revista inglesa ‘Q’ a existência de um tema próximo do registo de Frank Sinatra. No mínimo surpreendente. ‘Love is All We Have Left’ é o título da canção e poderá ser a explicação para o facto de o cantor andar a dizer-se “preocupado com o amor”. ‘North Star’, um tributo a Johnny Cash, é o título da outra música. Resta saber se Bono vai retirar proveito das aulas de piano que tem recebido.
Fase do tudo ou nada
À margem do mistério sobre a sonoridade escolhida para a nova etapa, certo é que 2007 será o ano de todas as decisões no seio do quarteto irlandês. Só existem dois fins possíveis: criar um álbum tão brilhante e inovador como o foi ‘Achtung Baby’ em 1991, ou colocar ponto final na longa aventura pela música. Quem o afirma é o próprio Bono numa entrevista recente: “Vamos ultrapassar a nossa mediania. Tem que ser. O que mais pode fazer uma banda como os U2? Das duas, uma: ou desaparecemos ou somos realmente brilhantes”.
Edge não é tão melodramático. Prefere revelar a vontade de criar algo mais melódico. Inquestionável é a procura de um som mais puro. É isso que Rubin tem conseguido nas suas últimas produções. O próprio guitarrista indica esse factor como sendo responsável pela sua escolha.
Em constante mudança
Esta não é a primeira vez que os U2 partem à procura de uma nova sonoridade. Há 24 anos, ‘War’ colocava a banda nas bocas do Mundo depois de o espiritual ‘October’ ter derrubado o estatuto conquistado com ‘Boy’, o álbum de estreia. Os irlandeses encontravam o rumo certo numa altura em que se salivava por alguém que ocupasse o trono pertencente aos The Who. Mas prosseguir viagem naquela estrada era demasiado redutor para a ambição do quarteto, que decidiu reinventar-se, chamando Brian Eno para produzir ‘The Unforgetable Fire’. Era o início da ‘fase americana’ reforçada em ‘The Joshua Tree’ e ‘Rattle and Hum’.
Mercado do ‘Tio Sam’ conquistado, Bono e companhia entraram na década de 90 com novo desvio, então para o incontornável rock futurista de ‘Achtung Baby’. Mais tarde passaram por ‘Zooropa’ e ‘Pop’, e fizeram contas à carreira em ‘All that You Can’t Leave Behind’. Há três anos explicaram ao mundo como se desmantela a bomba atómica. Qual será o próximo passo?
RUBIN, O MAIOR MAGO DO ESTÚDIO
Prestes a completar 44 primaveras (no próximo sábado), Rick Rubin é o produtor do momento. Só para este ano, em que arrecadou os Grammy’s de Álbum do Ano, Canção do Ano e Produtor do Ano, estão agendadas as edições de novos álbuns de The (International) Noise Conspiracy, Linkin Park, Metallica, Weezer, Ours, Vanessa Carlton, Kanye West e o sexto volume da colectânea ‘American’ de Johnny Cash. E U2, claro. A amostra é elucidativa quanto ao eclectismo musical dos seus clientes, pelo que difícil será prever o novo som dos irlandeses.
A convocação de Rubin para o novo disco da banda irlandesa segue-se à produção de ‘The Saints are Coming’, um tema original dos escoceses The Skids que os U2 e os Green Day re-interpretaram no ano passado com o objectivo de canalizar receitas para as vítimas do furacão ‘Katrina’.
Nos últimos anos do seu percurso – que se iniciou em 1985 com a produção de ‘Radio’ de LL Cool J –, Rubin construiu a reputação de alguém capaz de revitalizar a carreira de artistas que pretendem escapar à rotina comercial. Terá sido esta a razão fundamental para a sua escolha.
Ao contrário de alguns colegas de profissão, Rubin preocupa-se essencialmente com a produção pura e dura, mantendo-se à margem do processo de composição. Inclusivamente, prefere que as bandas só entrem em estúdio com os temas já prontos. Quem já lidou com ele, sublinha o facto de se apresentar ao trabalho sem qualquer ideia pré-concebida.
O trabalho de Rick Rubin é comparado ao descascar de um fruto – eliminando sucessivas camadas sonoras – e caracteriza-se pela simplicidade. O produtor evita ao máximo utilizar arranjos adicionais, coros ou efeitos de voz.
O norte-americano é também conhecido por ser uma pessoa afável, mas extremamente honesta e frontal, o que poderia criar algum desconforto na relação com os artistas. Curiosamente, sucede o contrário, já que todos reconhecem atingir uma maior motivação ao seu lado.
POLÍTICOS RENDIDOS ÀS CAUSAS DE BONO
A participação no Live Aid de 1985 foi marcante para Bono, que então decidiu visitar a Etiópia. O convívio com as vítimas da pobreza transformou-o num fervoroso defensor do perdão da dívida externa dos países africanos. Entre os principais admiradores do irlandês está o primeiro-ministro britânico Tony Blair. “A razão pela qual Bono faz a diferença é saber realmente do que fala. Não é inteligente entrar numa discussão com ele sem nos prepararmos adequadamente. Os líderes de todo o Mundo aprenderam a levá-lo a sério”, afirma. E entre esses líderes está George W. Bush, um dos principais alvos do espírito crítico de Bono, agora cativado pelo carisma do vocalista: “Tem uma vontade imensa de liderar e atingir o que o seu coração lhe indica: que ninguém deve viver na pobreza.”
Em 2000, também o ex-presidente norte-americano Bill Clinton apontou a “devoção apaixonada” de Bono como factor de aproximação entre políticos de diferentes orientações ideológicas. Como explica Blair: “Bono compreende que é preciso encorajar. Sabe o que leva as pessoas a agir.” Por cá, em 2005, o então Presidente da República, Jorge Sampaio, entregou ao cantor a Ordem da Liberdade devido “à exposição pública que obtiveram com o seu sucesso musical e com a protecção de causas humanitárias.”
PRÉMIOS
Os U2 já conquistaram 70 prémios, com especial destaque para a nomeação do Rock ‘n’ Roll Hall of Fame, em 2005. Entre os galardões, destaque para os Grammys, de que a banda é recordista com 22 troféus.
MOMENTOS
1976 - Larry Mullen coloca um anúncio no expositor da Mount Temple School: “Baterista procura músicos para formar banda”. A primeira designação é The Larry Mullen Band.
1979 - A banda parte para uma série de concertos em Londres com o objectivo de conseguir um contrato discográfico. Familiares e amigos juntam os quatro mil euros para financiar a tournée. É desse ano o muito raro (e caro!) EP ‘U2 Three’.
1993 - Acaba a digressão Zoo TV após dois anos na estrada. A contabilidade regista 12 nascimentos, oito divórcios, seis casamentos e o abandono de um técnico que se junta a um Mosteiro.
2004 - A gravação de ‘How to Dismantle an Atomic Bomb’ é roubada do estúdio em Nice. Temendo a sua proliferação na internet, a banda decide lançar o álbum através do site iTunes.
Noticia Correio da Manha
Publicado por U2Only às março 4, 2007 10:02 PM
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